Escolhendo a melhor arquitetura para delivery de vídeos

Apesar de parecer algo simples, a escolha correta de uma arquitetura de delivery de mídia é tão fundamental para o serviço quanto a definição dos parâmetros de codificação, isto porque ela também pode impactar de forma decisiva na qualidade da experiência do usuário. Distribuir um vídeo que demora muito para carregar, ou que “trava” constantemente, muitas vezes é pior do que ter uma experiência contínua porém com pior qualidade. Por isso, a escolha da arquitetura de delivery está fortemente atrelada ao target bitrate escolhido.

Existem duas formas básicas de se distribuir vídeos na internet: via Streaming ou Progressive Download. O streaming é a tecnologia que permite o envio de informação através de pacotes, que são solicitados sob demanda pelo cliente, ou seja, o cliente solicita ao servidor apenas os pacotes necessários para exibir o conteúdo em um determinado momento. Uma vez consumidos, os pacotes deixam de existir na máquina do cliente. O progressive download, nada mais é que um simples download, porém com a vantagem de que o usuário pode começar a reproduzir o conteúdo sem que seja necessário que o download esteja finalizado. No progressive download, o conteúdo é efetivamente copiado para a máquina do usuário, e, de acordo com as diretivas de cache, pode ficar armazenado lá por um determinado período de tempo.

Vocês agora podem se perguntar qual dessas duas opções é melhor, e a resposta é simples: depende dos seus objetivos e das características do cenário em que a solução será utilizada. Simplificando, você deve se fazer as seguintes perguntas antes de escolher qual modelo de distribuição será utilizado:

  • Qual o target bitrate total dos vídeos que serão distribuídos?
  • Qual é a largura de banda disponível média dos usuários que irão acessar o conteúdo?
  • A segurança do conteúdo é uma prioridade? (Pirataria)
  • Os custos da infra-estrutura são um fator limitante?

Se suas respostas indicam que a largura de banda disponível média dos usuários é pelo menos 20% maior que o target bitrate total dos vídeos que serão distribuídos, então a situação é bastante confortável, e a escolha entre streaming e progressive download será decidida nas outras duas questões. Caso a segurança seja uma preocupação primordial, ou seja, o conteúdo oferecido é altamente sensível à pirataria, então recomendo fortemente a utilização do streaming. Isto porque o conteúdo distribuído via streaming não fica armazenado no cliente após a reprodução, o que dificulta um pouco as coisas para o lado de quem quer copiar. Além disso, não é possível fazer o download do arquivo através de um simples GET HTTP, já que a maioria dos servidores de streaming utilizam protocolos diferentes (rtmp para Flash e rtsp para WMV). Entretanto, não pense que será impossível copiar o conteúdo, já que existem alguns programas que “tocam” o vídeo como se fossem um player, mas na verdade estão copiando o bitstream para um arquivo local (WMRecoder, etc).

Por outro lado, ainda no cenário ideal onde a disponibilidade de banda é maior que o target bitrate, caso os custos sejam uma preocupação crítica, então a melhor opção seria o progressive download, já que podemos montar um servidor utilizando apenas tecnologias open-source (Apache), e podemos compartilhar os recursos com outras aplicações, como um web-server. Desta forma, não é necessário um hardware dedicado ao serviço, o que pode acontecer utilizando streaming, principalmente em Windows Media. Além disso, um servidor de progressive download suporta, naturalmente, mais conexões que um servidor de streaming, já que ele dispensa uma série de controles do fluxo de bits de cada conexão.

Voltando ao mundo real, o que acontece quando a disponibilidade de banda dos usuários não é lá grandes coisas? Neste caso, a melhor opção é sem dúvidas o progressive download. Caso o usuário não tenha uma banda disponível suficiente e a distribuição seja feita via streaming, a reprodução do conteúdo será interrompida constantemente para rebufferings, já que o fluxo de bits de saída é maior que o de entrada, e não há nada mais irritante para o usuário do que interrupções na reprodução. O mesmo problema acontece para o progressive download, com um porém: o YouTube ensinou uma valiosa lição para o usuário, “aperte o pause e espere carregar”! Assim, a diferença, neste caso, entre o streaming e o progressive download, está na possibilidade de pausar a reprodução até que o conteúdo esteja suficientemente carregado para uma reprodução contínua. Esta é uma “feature” que definitivamente faz toda diferença quando falamos na satisfação do usuário.

Um bom argumento daqueles que defendem o uso do streaming é a possibilidade de seek para qualquer posição do vídeo, independente da necessidade de carregamento. Entretanto, se estivermos falando de Flash Vídeo, este argumento é totalmente inválido. Com Flash Vídeo podemos implementar de forma relativamente simples uma solução de seek para qualquer posição, sem que seja necessário que a posição desejada já tenha sido recebida (mod_flv_streaming).

Resumindo, a escolha entre progressive download e streaming deve ser feita baseada nas características específicas de cada situação, e não podemos dizer para usar sempre um ou outro, pois ambos possuem vantagens e desvantagens. Na verdade, a chave para escolha da melhor arquitetura consiste na avaliação correta de todos os pontos envolvidos no processo de delivery, considerando assim os trade-offs de cada solução.

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