Archive for the ‘Globo.com’ Tag

Globo Vídeos para iPhone

A Globo.com lançou hoje, oficialmente, seu portal de vídeos para iPhone: http://m.video.globo.com. Agora é possível ver os vídeos da Globo.com de qualquer celular que suporte vídeos H.264!!!

Globo Videos para iPhone

Globo Vídeos para iPhone

Foi desenvolvida do zero uma nova versão do site, otimizada para iPhone e iPod Touch, com os já conhecidos efeitos de transição. Todo este trabalho foi realizado em pouco mais de um mês, desde a criação até o desenvolvimento, passando pelo setup da infra-estrututra de distribuição, estudos e pesquisas para otimizar a qualidade dos vídeos, implementação, etc, e isto só foi possível devido à utilização de metodologias ágeis, que definitivamente mudaram a forma como trabalhamos aqui, o que sem dúvida nenhuma permite uma resposta mais eficiente às demandas do mercado de internet.

Além de ver os vídeos no site, é possível reproduzir todos os vídeos do portal, mesmo aqueles que estão embedded em matérias, como os que encontramos no G1 e Globoesporte.com

Com relação à qualidade dos vídeos, posso dizer que conseguimos uma otimização bem legal, onde temos um vídeo de ótima qualidade (33dB) para o bitrate que escolhemos, que é limitado ao throughput máximo das redes 3G.

Video da Globo.com no iPhone

Vídeo da Globo.com no iPhone / iPod Touch

Mais uma vez conseguimos entregar um produto inovador, de qualidade, o que prova que estamos no caminho certo. Parabéns galera!!!

Advertisements

Scrum, e os benefícios para os Team Members

Freqüentemente leio posts e artigos sobre a utilização do Scrum, entretanto, na maioria das vezes, existe uma grande ênfase nos benefícios obtidos com ele do ponto de vista da empresa, como o aumento na velocidade das entregas, e nem sempre é discutido sobre o que os team members ganham, quais as vantagens para as pessoas que efetivamente desenvolvem as tarefas. Desta forma, achei que seria interessante expor aqui um pouco da experiência que estou tendo na Globo.com, onde atuo como team member de uma equipe desde que adotamos o Scrum oficialmente.

Algumas pessoas, em um primeiro contato com o Scrum, podem apresentar um certo receio sobre uma das prerrogativas propostas pelo framework, que é a disseminação de conhecimento por todo time, com o objetivo de reduzir as chamadas “ilhas de conhecimento” nas equipes. Isto é excelente do ponto de vista da empresa, porém, infelizmente alguns profissionais que detém um conhecimento específico pensam que seu emprego estará “garantido” enquanto ele for o único a dominar determinado assunto. Entretanto, a disseminação do conhecimento por todo time é extremamente positiva para o desenvolvimento profissional de cada um, uma vez que o conhecimento específico de cada membro é compartilhado, estabelecendo uma “via de mão dupla”.

Além disso, cada componente do time é livre para executar qualquer tarefa, seja ele ou não o especialista no assunto. Desta forma, esta transferência de conhecimento pode ser realizada de acordo com a vontade de cada um, até o ponto que o desenvolvedor irá fazer tarefas simples de design, e o designer irá implementar trechos simples de código.

Outro benefício bastante importante é a existência um escopo claro e bem definido daquilo que deve ser realizado, o que evita uma série de transtornos. Ninguém vira a noite se matando para implementar uma funcionalidade não prevista, ou alterando o que foi feito pois houve uma mudança de idéia. No Scrum existe um “compromisso público” que define o que será realizado, não existe margem para alterações não aprovadas pelo próprio time. Além disso, a existência de um backlog priorizado permite uma visão mais clara daquilo que deverá ser realizado, qual é a estratégia e os objetivos existentes.

A existência de reuniões diárias (daily meetings), também ajuda bastante no processo de comunicação entre os membros do time, sendo que cada um sabe exatamente o que o outro fez, e o que irá fazer, e isto é extremamente importante para todos tenham uma visão bem clara do que está sendo feito, quais foram os desafios e como eles foram superados. Finalmente, ao término de cada ciclo (sprint), cada um pode expressar o que foi bom ou ruim no último sprint o que facilita bastante a resolução de problemas de qualquer natureza.

Em suma, o Scrum pode ser bastante positivo também para os profissionais, basta saber aproveitar as novas oportunidades abertas por este modelo de desenvolvimento, em vez de ficar com medo das mudanças que naturalmente vão acontecer.

Keep it Simple

De uns tempos pra cá, desde que começamos a utilizar o Scrum na Globo.com, venho a cada dia reforçando minha idéia de que quanto mais simples, melhor. Muitas vezes, principalmente nós, engenheiros, queremos implementar as soluções mais mirabolantes para problemas muitas vezes não tão complexos, pela simples capacidade criativa que existe em nós. No caso específico de desenvolvimento de software, as vezes ficamos horas e horas tentando otimizar cada linha, cada processo, literalmente escovando bits, para ganhar um mínimo de performance. O problema é que o mercado de internet é extremamente rápido, e existe uma pressão imensa para inovação. Neste cenário, gastar tempo em pontos pouco críticos pode ser desastroso, a medida que a busca por uma solução perfeita pode literalmente impedir que novas funcionalidades sejam implementadas.

Sempre fui adepto do “bom é inimigo do ótimo”, ou seja, a busca ininterrupta por uma solução ótima pode inclusive destruir uma solução suficientemente boa. Entretanto, quando falo “Keep it Simple”, quero dizer: uma vez diante de um problema, tente simplificá-lo ao máximo, crie atalhos nos processos e limite-se naquilo que atende suas necessidades. Não tente criar um canhão para matar uma formiga. Uma solução simples, no meu ponto de vista, é muito mais elegante e melhor que uma solução aparentemente genial. No caso específico de software, quanto mais simples for a solução, mais fácil é o handover para outros membros do time, perde-se menos tempo em desenvolvimento e em manutenção, mais fácil é o teste, existe uma menor quantidade de pontos de falha. Note que ao contrário do que parece, as soluções simples não abrem mão da qualidade em nenhum momento, pelo contrário, elas contribuem para o ganho de qualidade, principalmente à longo prazo. Implementar uma solução simples não significa desenvolver fora dos padrões ou não utilizar as best pratices conhecidas, tanto que, em alguns momentos, ela será mais trabalhosa.

A medida que os membros do time  compartilham esta idéia de simplicidade,  a velocidade do time aumenta, sem comprometimento da qualidade, e os débitos técnicos causados por problemas de implementação tendem a reduzir, uma vez que fica mais fácil integrar novas funcionalidades. No time em que faço parte (time voltado para o produto Globo Vídeos), acredito que todos já tem este mindset, de que entregar muitas coisas simples é melhor do que entregar poucas coisas muito complexas. Por isso, “keep it simple”,  e você vai ver o quanto as soluções simples podem ser extremamente eficientes.

O Dilema da Qualidade dos Vídeos

Freqüentemente, quando encontro alguém que eu não conheço, e digo que trabalho na área de mídia da Globo.com, a primeira pergunta que me fazem é se eu edito os vídeos e coloco eles na internet. Daí eu explico um pouco melhor, dizendo que não, que desenvolvo novos projetos e tecnologias para diferentes etapas do processo de captura/produção/publicação dos vídeos, daí então a segunda pergunta sempre é relacionada a qualidade dos vídeos. Ou perguntam porque não melhoramos a qualidade (essa pergunta já foi bem mais freqüente, e hoje caiu em desuso), ou dizem que demora para carregar, ou dizem que o vídeo é pequeno, ou trava toda hora, etc. De uns tempos pra cá, depois que passamos a utilizar Flash Vídeo, até que as perguntas estão mudando, porque ficou melhor pra muita gente! Em suma, é bem comum que as pessoas questionem a qualidade, até porque elas estão acostumadas com a excelente qualidade da TV Globo.

Outra observação importante que eu fiz é que a maioria das pessoas que fazem essas perguntas não entendem nada de internet, elas são apenas usuários leigos, sem formação ou vocação tecnológica. Então, resolvi escrever um post para tentar explicar de forma bem clara como as coisas funcionam, e como lidamos com o “cobertor curto” diariamente.

Para que um vídeo seja disponibilizado na internet, é necessário percorrer um caminho relativamente simples. Primeiramente, precisamos capturar o sinal de TV e digitalizar ele em arquivos de vídeo. Esse arquivo é o vídeo bruto, em excelente qualidade, que será editado (cortado, etc). Uma vez editado, o vídeo é preparado para distribuição na internet, ou seja, ele é transcodificado. Neste momento, transformamos o vídeo editado de altíssima qualidade para um formato padrão de distribuição na internet. Atualmente utilizamos Flash Vídeo, porém, poderíamos utilizar Windows Media, Real, etc. Uma vez transformado, o vídeo é colocado nos servidores para que os usuários possam acessar.

De todo esse processo, basicamente o que define a qualidade final do vídeo é a transcodificação. Nela não só alteramos o formato (chamado encapsulamento), como também aplicamos uma compressão, e é aí que mora o problema. Se pensarmos um pouco e fizermos uma conta simples, iremos ver que a quantidade de informação de um vídeo de alta qualidade é imensa, e seria impossível transmitir este vídeo na internet. Vejamos: supondo um vídeo com 320 pixels de largura por 240 de altura, teremos por frame de vídeo 76800 pixels; considerando que o vídeo tem 30 frames por segundo; e considerando uma resolução de 8 bits por pixel; desconsiderando o áudio, as cores, etc, teremos:

76800 x 30 x 8 = 18432000 bits/segundo de vídeo = 17.57Mbps

Agora eu pergunto quantas pessoas no Brasil tem 17.57Mbps de conexão de internet?!

A solução para este problema consiste em comprimir a informação do vídeo, retirando as redundâncias existentes nele. Quanto mais redundância tirarmos, menos bits por segundo serão necessários, mais fácil fica ver o vídeo, menos qualidade teremos na imagem. Esta é a relação da discordia. Além disso, existem diferentes forma de retirar a redundância de um vídeo, umas mais e outras menos eficientes. Estas diferentes maneiras são os famigerados codecs (VP6, H264, WMV9, MPEG2, MJPEG, DV, etc ), que implementam os algoritmos de compressão dos vídeos. Atualmente o algoritmo mais eficiente de compressão é o H264, que é inclusive utilizado nas transmissão de TV Digital no Brasil.

Assim, dada que a taxa média de velocidade do usuário brasileiro fica em torno de 300kbps (o que é ridículo!!!), é necessário comprimir bastante, muito mesmo, o que acaba degradando a qualidade. Por outro lado, para ter uma qualidade mais razoável, precisamos de algo em torno de 600kbps, 800kbps, porém iremos onerar a velocidade com que o usuário carrega o vídeo. Conciliar velocidade e qualidade é uma tarefa difícil, mas não impossível. Podemos utilizar uma série de filtros e algoritmos de processamento de imagens para maximizar a percepção de qualidade, e, a medida que a tecnologia avança, podemos melhorar os próprios algoritmos de compressão do vídeo. De qualquer forma, não existe milagre! Maior qualidade, maior tamanho, etc, ocasiona em mais bitrate.

O que eu posso dizer a respeito dos vídeos da Globo.com, é que temos um processo de avaliação de qualidade bastante rígido e objetivo, dentro das limitações de bitrate que definimos. E podem esperar, porque ainda teremos muitas novidades este ano!