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TV Digital e a Interatividade, Portabilidade e Mobilidade

Para quem ainda não sabe, amanhã, dia 16/06, a TV Globo inicia sua transmissão de TV Digital para o Rio de Janeiro, durante a exibição do Jornal Nacional. Depois de mais de 5 anos de muita burocracia governamental finalmente estamos implantando o novo sistema, processo que deve demorar, pelo menos, mais uns dois anos para ter toda a cobertura que a TV analógica possui hoje (99% do território nacional). A pergunta que me faço neste momento é quais serão as reais vantagens do SBTVD, além do ganho de qualidade é claro, considerando o grande atraso no processo de definição/implantação.

O comitê para definição do SBTVD foi criado em 2003 com o objetivo de pesquisar os padrões existentes e escolher um para utilização no Brasil. Depois de muita pesquisa e discussão, chegou-se a conclusão de que o ISDB-T (padrão de TV Digital Terrestre do Japão) era o que oferecia as melhores condições, já que possuía características que permitiam a recepção por dispositivos móveis e portáteis. Porém, o ISDB-T utilizava o MPEG-2 como codec de vídeo, e, devido a demora na definição do padrão brasileiro, já existia uma corrente muito forte em prol da utilização do H.264 como codec de vídeo, devido a melhor eficiência em relação ao MPEG-2. Foi então que decidiu-se pela criação de um sistema híbrido, utilizando a modulação ISDB-T com o H.264 como algoritmo de compressão de vídeo. Esta, no meu ponto de vista, foi a única vantagem de termos demorado tanto em definir um padrão de TVD.

Entretanto, a interatividade, uma das grandes vantagens da TVD além da qualidade, está praticamente esquecida, e, pelo ritmo que as coisas caminham, ainda vai demorar muito para que funcionalidades descentes sejam implementadas. A ausência de um processo interativo mais estruturado na TV acaba abrindo caminho para a expansão da distribuição de vídeo na internet, que já lida com este processo de interação desde seu nascimento, e que ainda pode evoluir bastante.

O problema é que quando a interatividade finalmente chegar à TV pode ser tarde demais. Dizer que a TV vai acabar e que o consumo de conteúdo em vídeo será realizado via internet é ser um tanto quanto radical. Na verdade, acredito em um processo de convergência, onde os grandes broadcasters continuarão gerando conteúdo, que será consumido e distribuído de diversas formas. A única certeza que eu tenho é que o modelo comercial que temos hoje será completamente substituído, já que o processo de consumo de conteúdo será alterado.

Com relação à mobilidade e portabilidade, acredito que a distribuição de vídeos via redes de dados 3G irá predominar sobre a TVD por dois motivos: primeiro, porque as redes 3G já estão sendo implantadas, e existe uma demanda forte que impulsiona a expansão; segundo, pelo processo de consumo “on demand” que já existe na internet e que esta sendo expandido para experiências mobile, e que faz muito mais sentido em relação ao modelo de distribuição da TV, do ponto de vista de consumo de conteúdo em celulares.

Resumindo, é necessário uma mudança de mentalidade daqueles que hoje lidam com TV para que seja possível aproveitar de forma ampla os benefícios que a TV Digital nos oferece, atendendo assim as expectativas de consumo do mercado. Caso contrário, a TV irá perder cada vez mais sua força, abrindo caminho para novas possibilidades e experiências que ela não é capaz de suprir.

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[Streaming Media East 2008] Novidades e Resumo do Evento

Na última semana estive no Streaming Media East 2008, em Nova York, para conferir as novidades sobre streaming de mídia na internet, e posso dizer que o evento foi bem legal, e bastante proveitoso, mesmo tendo algumas sessões lamentáveis. Porém, antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas pois não consegui atualizar o blog com a freqüência que eu queria, já que, por incrível que pareça, existem mais hot-spots abertos no Rio que em NYC!!!

No primeiro dia de evento, assisti dois workshops de 3hrs cada: “Comparing and Using Video Codecs” e “Microsoft Silverlight”. Estava especialmente interessado no primeiro deles, já que a descrição do workshop dizia que seria apresentada uma comparação entre WMV, VP6 e H.264. Infelizmente fiquei bastante frustrado, e acredito que esta tenha sido a apresentação sobre codecs de vídeo mais rídicula e inútil que eu já vi. O palestrante foi totalmente superficial, não entrando em nenhum detalhe mais específico de nenhum dos codecs. Durante a apresentação, ele ignorou toda e qualquer solução open-source, de qualquer codec, inclusive a libx264, que é sem dúvida nenhuma a melhor implementação de H.264, inclusive quando comparamos com implementações proprietárias. Não citou o ffmpeg ou o mencoder, e ainda desconversou quando foi perguntado à respeito delas. Finalmente, para perder completamente o crédito, apresentou um comparativo de encoders com notas dadas subjetivamente para critérios que ele definiu como importante, ignorando absolutamente todos os métodos objetivos/científicos de avaliação de qualidade (PSNR, SSIM, MSE, etc). Ele ainda criticou bastante o Sorenson, e parecia um representante comercial da On2 querendo vender o VP6, apesar de não ter argumentos quando questionaram sua posição dizendo que o YouTube usa Sorenson.

O segundo workshop, de Silverlight, foi bastante proveitoso, já que confirmou todas as críticas que faço, além de reforçar minhas convicções de que ele é uma porcaria que a Microsoft está tentando empurrar para o mercado. Durante 3hrs, o Silverlight Evangelist não conseguiu fazer sequer um exemplo, conseguiu crashear o IE duas vezes, e desconversou quando pediram um comparativo com o Flash. Como mais da metade dos presentes foi embora antes de 2hrs, acho que todos estão convencidos de que não dá para fazer muita coisa com o Silverlight não, então, se vocês querem um conselho, esqueçam que ele existe.

Apesar de um primeiro dia terrível, o segundo dia valeu por cada centavo pago na inscrição. O keynote de abertura, com o CDO da NBC, foi bem legal, principalmente para saber o que grandes broadcasters como a NBC estão fazendo, e o que eles esperam do mercado. Em seguida, assisti uma mesa redonda sobre a convergência H.264, onde estavam presentes o Product Manager do Flash Media Server e o Video Architect do Yahoo!, além de um representante da Akamai e um da Move Networks. O grande ponto desta sessão foi opinião unânime de que o H.264 é o formato da nova geração de vídeos que irá ser responsável pela convergência de conteúdo entre TV, Internet e Celular. A Adobe está apostando bastante nisso, e certamente a parte de streaming/vídeo vai receber bastante investimento nos próximos anos. Um ponto importante que todos lembraram é a questão do licenciamento do H.264, que será revisado pelo MPEG/LA em dezembro de 2010, e pode impactar bastante à indústria.

Outra sessão bem interessante foi sobre os preços de CDN’s e sobre P2P, onde houve muita discussão sobre a queda que vem ocorrendo nos preços para utilização de CDN’s, e sobre as alternativas para delivery de vídeos, como P2P. Na verdade, o grande problema que todos enxergam no P2P é a necessidade de instalação de um software adicional, que realmente prejudica a experiência do usuário.

No segundo dia, fui à um keynote com o responsável pelo CNNMoney.com, onde ele apresentou como é a estrutura de publicação/produção deles. Apesar de ter uma produção bem pequena (20 vídeos por dia), foi legal ver como é o processo desde a captura no estúdio (com câmeras HD da Sony e Anycast) até a publicação na internet, depois de editar o conteúdo no Final Cut Pro.

Além disso, a pergunta que eu mais ouvi durante todo o evento é como ganhar dinheiro com vídeo na internet, ou seja, como transformar todas as iniciativas, desde VoD até Lifecasting, em um negócio rentável, principalmente através de publicidade. A verdade é que ninguém sabe ao certo como transformar toda a audiência dos sites de vídeo em dinheiro, e estão todos experimentando suas soluções. Neste ponto específico, acho que a Globo.com está com um modelo bem interessante, que deve se firmar no mercado.

Em resumo, valeu bastante a ida ao evento, e recomendo para todos que tiverem algum interesse no mercado de streaming, principalmente para aqueles que estão começando agora.

Se alguém tiver interesse, algumas apresentações do evento estão aqui.