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VP6?! Não faça isso!

Para quem ainda não sabe, o VP6 (na verdade TrueMotion VP6) é um codec de vídeo utilizado para codificação no formato Flash Vídeo, desenvolvido pela On2 em 1992, e é bastante comum em vídeos distribuídos na internet. A cada dia, mais e mais sites YouTube like passam a utilizar este codec para comprimir seus vídeos, e isso é algo que me deixa bastante curioso: o que as pessoas que tomam estas decisões tem na cabeça, para usarem o VP6??? Por isso, resolvi fazer uma lista de argumentos para aqueles que estão pensando em usar Flash Vídeo para alguma coisa, e para aqueles que usam VP6 poderem me dar bons argumentos para tal escolha.

Antes de entrar nos detalhes de porque eu acho o VP6 ruim, vamos avaliar as opções existentes. Se você quer gerar um vídeo para tocar no Flash Player, você pode escolher entre os seguintes codecs: Sorenson, VP6, e H264. O Sorenson é um codec antigo e não muito eficiente, é o que o YouTube utiliza para seus vídeos de baixa definição e existem diversas implementações open-source. O H264 é um codec excepcional, utilizado para TV Digital Terrestre e bastante eficiente. Além disso, o H264 também possui implementações open-source, porém é necessário pagar royalties para utiliza-lo comercialmente.

Dadas as características das opções, a escolha evidente seria o H264. Entretanto, devemos considerar que somente a versão 9.0.r115 do Flash Player toca vídeos em H264, e apenas uma parcela bem pequena dos usuários tem esta versão instalada. Assim, a opção mais óbvia seria utilizar o VP6, já que é um codec mais eficiente e é capaz de gerar vídeo com ótima qualidade. Entretanto, ele é um codec caro, e para produzir vídeos em larga escala, de forma legal, você terá que desembolsar uma boa grana. A questão então é mais de custo x benefício.

Para codificar vídeos em VP6 você tem algumas opções, como o Flash Media Encoder e o Flix. Entretanto, todas elas são bastante limitadas, para não dizer totalmente, sendo que é possível alterar apenas o target bitrate e alguns parâmetros de tolerância. Para quem está acostumado a utilizar o mencoder e o ffmpeg, onde é possível alterar qualquer parâmetro do codificador, isto deixa muito a desejar. Não podemos, por exemplo, configurar o range de motion estimation, ou o tamanho dos macroblocos, nem sequer o posicionamento dos key-frames, ou seja, não existe margem para otimização. Até existe a possibilidade de gerar VP6 com o mencoder, porém trata-se de um hack com a DLL que implementa o codec, e é bastante bugada.

Por outro lado, podemos gerar Sorenson com estas ferramentas open-source, e podemos otimizar tanto o processo de codificação que o vídeo gerado terá uma qualidade semelhante à do VP6, principalmente quando falamos de bitrates entre 400kbps e 800kbps. Além disso, não será necessário gastar nem um centavo para gerar os vídeos. O único problema, no caso, é encontrar a combinação de parâmetros que tenha como output um vídeo de qualidade comparável ao VP6.

Outro ponto importante é o tempo de codificação, ou seja, o tempo necessário para gerar o vídeo comprimido. O Sorenson é um codec extremamento rápido, e, mesmo utilizando dois passos, é possível obter um tempo de codificação menor que a duração do vídeo. Já o VP6 é bem mais lento, e isto pode ser bem crítico dependendo do volume de vídeos processado e da urgência de exibição dos mesmos.

Assim, a única justificativa que vejo para utilizar VP6 é para vídeos em alta-definição, com grande penetração de usuários, e em cenários com grande disponibilidade de banda. Mas se for este o caso, pense bem, porque o H264 vai dominar o mercado antes que você possa imaginar.

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Vídeos no Flickr!!!!

O Flickr liberou hoje pela manhã a possibilidade de upload de vídeos, além das fotos que já conhecemos. Com isso, não precisamos mais subir nossos vídeos para o YouTube, e podemos deixar tudo junto em um lugar só. Essa feature era uma das mais esperadas de todos os tempos, e não sei porque eles demoraram tanto para implementar essa funcionalidade (provavelmente devido aos investimentos em infra!!!). Talvez pela falta de uma infra-estrutura robusta existe um limite de 90seg por vídeo, o que é ruim, mas já dá para quebrar o galho.

Eles também estão utilizando Flash Vídeo em progressive download, o que já é mais do que padrão no mercado. O codec de vídeo escolhido foi o VP6, com 800kbps (muito alto para os padrões brasileiros), sem conversão de aspect ratio ou frame rate. Já para o áudio, temos 64kbps MP3, com 44100Hz, stereo.

Este é sem dúvida nenhuma um passo importantíssimo do Flickr, sendo mais um diferencial bastante considerável em relação aos seus concorrentes.

Para saber mais, é só ir no Blog do Flickr

MTV lança novo player de Vídeo

A MTV lançou recentemente a nova versão de seu Player de Video na Internet exclusiva para Full Episodes. Utilizando streaming via Flash Media Server, ela abandona o delivery via progressive download, o que definitivamente é uma evolução em termos de segurança, já que não há cache local, e de “qualidade”, uma vez que eles utilizam um processo de detecção de banda para servir um target bitrate mais adequado para a conexão do usuário (temos variações desde 350kbps até 1.2Mbps). Apesar disso, essa “qualidade” está entre aspas porque todos sabemos que a experiência do usuário em delivery via streaming pode ser terrivelmente ruim, principalmente se você estiver próximo do target e se sua velocidade não é suficientemente estável. Nestas circunstâncias, o vídeo irá fazer rebuffering constantemente, o que é absolutamente irritante. Além disso, a possibilidade de pausar e aguardar o carregamento para uma reprodução contínua não é possível, o que vai contra ao comportamento do usuário, principalmente devido à experiência proporcionada pelo YouTube.

Com relação à qualidade do vídeo, ela está realmente muito boa, e melhorou bastante em relação à versão antiga. A imagem está mais nítida, com menos blur, o que indica um processo de codificação mais eficiente. Como o Flash 9.r115 não é um requisito mínimo, acredito que eles estão utilizando VP6 para codificar os vídeos. Entretanto, dada a qualidade da imagem em relação ao bitrate utilizado, não duvido nada que também exista uma versão H264 que é enviada apenas para os usuários com esta versão de Flash Player. Infelizmente não podemos saber ao certo, já que não consegui copiar o vídeo para minha máquina 😦

Antes:

MTV Before

Depois:

MTV After

Outra observação interessante é a utilização de inserções comerciais ao longo do vídeo, que são representadas na barra de progresso com pequenas barras cinza. Eu particularmente achei que ficou meio ruim de ver as marcações, além de que a interrupção da reprodução para exibição de um comercial é extremamente inconveniente do ponto de vista do usuário. A verdade é que os grandes players do mercado ainda estão estudando a melhor forma de realizar publicidade em vídeo distribuído na internet, mas isso é um assunto para um outro post.